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Leilões de imóveis têm boas pechinchas

Nas licitações de bancos, encontram-se várias ofertas, mas é preciso pesquisar e tomar alguns cuidados

Que tal comprar um apartamento, parecido com aquele que você está procurando, com financiamento e ainda com desconto de 20% em relação ao valor de mercado? Se você gostou da idéia, é hora de começar a pesquisar os editais de licitações que trazem as concorrências e os leilões imobiliários realizados pelos bancos.

Os leilões e concorrências de imóveis são públicos e oferecem de tudo: apartamentos, casas, terrenos, sítios e imóveis de lazer e comerciais. Há riscos, e nem tudo é um bom negócio, mas as oportunidades existem, com a vantagem de que os bancos as financiam.

Segundo o leiloeiro Luiz Fernando Sodré Santoro, da Sodré Santoro Leilões, o preço de arremate dos produtos oferecidos é, em média, 25% inferior ao de mercado. Nas contas do leiloeiro Ronaldo Milan, o percentual é um pouco menor: o desconto varia de 15% a 20%.

Concorrência

A professora Luciana Aparecida de Souza, 26, de São Paulo, está mudando hoje para o apartamento que comprou por meio de uma concorrência pública na CEF (Caixa Econômica Federal). Desde que o adquiriu, há um mês, Luciana tem recomendado aos amigos os editais de licitações. “Foi tudo muito fácil, e acho que fiz um ótimo negócio.”

Luciana comprou um apartamento de dois dormitórios na zona norte de São Paulo por R$ 31.650. Ela pagou uma caução de 5% para participar da concorrência, que entrou como parte do pagamento, e vai financiar o restante em 20 anos, com juros de 6% ao ano, além da variação da TR. “Um apartamento como o meu vale R$ 50 mil”, diz.

A professora Luciana também ficou contente porque conseguiu trocar os gastos com aluguel e condomínio, que somavam R$ 500 por mês, por uma prestação de R$ 300 e um custo condominial de R$ 120. “Pelo menos agora estarei pagando pelo que é meu.”

Mas nem tudo chega às licitações com preço convidativo. Conforme o leiloeiro Carlos Alberto Santos Frazão, somente de 25% a 75% dos imóveis oferecidos em um leilão são vendidos. “Quando o preço está acima do mercado, ninguém compra”, diz.

As ofertas variam muito de uma licitação para outra, bem como os preços mínimos estipulados e a quantidade de pessoas disputando aquele bem. Você pode dar sorte e não encontrar nenhum rival interessado no mesmo produto, como aconteceu com Luciana, ou não. “Não há regra”, explica João de Souza Simão, preposto de leiloeiro da Turn Key Leilões.

Preço mínimo

Na opinião dos leiloeiros, as arrematações do Bradesco estão entre as mais convidativas, pois os preços mínimos chegam a ser 50% menores do que os das avaliações de mercado. “Os eventos do Bradesco costumam atrair 5.000 pessoas, e 100% dos produtos são vendidos”, afirma Santoro.
No quesito financiamento, os do Banco do Brasil estão entre os mais disputados porque a instituição não exige comprovação de renda. “O arrematante tem direito ao financiamento na hora, sem qualquer burocracia”, explica Gilberto Menezes Lima, analista sênior do Banco do Brasil.
Todos os bancos oferecem financiamento para os compradores. As condições variam conforme a instituição e o tipo do imóvel, e é preciso analisá-las com calma, para fazer a escolha mais vantajosa dentro das suas possibilidades.

Quem compra um imóvel no Bradesco no valor de até R$ 100 mil pode optar, por exemplo, em dar 20% de sinal, além dos 5% de comissão do leiloeiro, e pagar o restante em 24 parcelas, corrigidas anualmente pelo IGP-M, sem incidência de juros (isso não vale para todos os tipos de propriedade). Se a linha de crédito estiver dentro do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), o interessado poderá financiar 70% da compra em até 144 meses, com taxa de 12% ao ano e correção pela TR.

No Banco do Brasil, há linhas de financiamento de 180 meses, corrigidas pelo IGP-M, com juros de 6% ao ano. A taxa depende do tipo do imóvel e pode subir para 12% ao ano, além do IGP-M ou da TR.

Na CEF, afirma o gerente nacional de alienação, Victor Costa Nunes, o arrematante paga, no máximo, TR mais 10,5% de juros ao ano. Se o imóvel valer menos do que R$ 40 mil e a renda do proponente for inferior a R$ 1.800 por mês, o custo pode cair para TR mais 6% de juros ao ano.
Todas essas condições, bem como os documentos exigidos, devem ser levantadas antes de entrar na licitação. Para participar do leilão ou concorrência, os bancos costumam exigir uma caução equivalente a 5% do valor do imóvel. Se você não se enquadrar nas condições do financiamento e quiser desistir do negócio por causa disso, perde os 5%.

ISABEL CAMPOS
EDITORA-ADJUNTA DO FOLHAINVEST